terça-feira, 1 de novembro de 2011

Roupas inteligentes para um breve futuro


Soraya Fernandes
Marcos Carra

(AECA Ceunsp Ciência) Você acha que uma roupa pode se comunicar? Você usaria um cachecol com todos os comandos de um celular? Segundo a coordenadora do curso de Design de Moda do Ceunsp, Luciane Panisson, com tantos avanços tecnológicos já é possível ter roupas inteligentes, que se comunicam através da comunicação não-verbal.

Os computadores vestíveis são roupas inteligentes que obedecem a comandos através de mecanismos não vistos. Luciane Panisson fez todo um mapeamento no mundo dos projetos desenvolvidos sobre os computadores vestíveis. Então fez uma classificação por área e encontrou projetos destinados à área da saúde, aplicações militares, esportes radicais e entretenimento e, por fim, os voltados à vestimenta, mas com comandos.

“Quando se fala de computador vestível trata-se de um protótipo, e não um produto, pois ainda não é amplamente desenvolvido no mercado”, disse Luciane. Interligados pelos computadores vestíveis, há roupas com tecidos inteligentes, que são quaisquer tecidos que tenham aplicação de tecnologia na fibra têxtil. São desde fibras terapêuticas que vão liberando em sua pele certos aromas, para terapias e tratamentos relaxantes, até tecidos que são feitos com nano tubo de carbono, ou nanotecnologia. Estes, conforme o comando, provocam reações no corpo.

Projetos de computadores vestíveis são feitos por empresas de comunicação e tecnologia. São mais voltados às aplicações militares, devido aos altos investimentos necessários. A sua comunicação é completa e não se percebe a máquina na roupa. Nos EUA, há muitos uniformes militares que já fazem monitoramento da saúde, contam os batimentos cardíacos e envia os resultados para uma base de dados, via wireless.

Os médicos, na base, fazem o monitoramento da saúde do soldado. Já existem projetos de roupas com tecidos com nanotecnologia capazes de fazer um tratamento prévio: se um soldado for baleado, é acionado um comando que leva o tecido a comprimir a região e estancar o sangramento. Também existem luvas que, em cada dedo, tem um comando, para ativar som, registro de imagens e o soldado se comunica com uma base sem que tenha que soltar a mão da arma.

Na área de comunicação, a France Telecom desenvolveu um cachecol multimídia, que tem teclado, tela, recebe dados, faz ligações, tem fone de ouvido e é lavável. É praticamente um telefone celular de se pendurar no pescoço. Há outros tipos de roupas mais simples, que usam baterias com receptor de luz para carregar a bateria, roupas de esportes radicais com GPS. Existem ainda relógios e colares que captam os batimentos do coração e mudam de cor, chamados de joalheria emotiva.

Nos dias atuais, o computador vestível é, para a sociedade, o que um computador era nos anos 60, uma possibilidade tecnológica do que pode vir a ser daqui alguns anos. “Vejo que o computador vestível daqui umas duas décadas vai se inserir no cotidiano, e seu custo deverá ser reduzido”, diz Luciane. “O computador vestível é interativo (não precisa ficar raciocinando por ele), é um projeto que está em fase de desenvolvimento, já foi apresentado, teve resultados, mas ainda não foi difundido no mercado”, finaliza.

Soraya Fernandes e Marcos Carra são estudantes do
Curso de Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio

A desmistificação de um poeta


Tamara Horn
Stephen Hoffman

(AECA Ceunsp Ciência) O interesse pela literatura começou cedo. Desde criança, o professor dos cursos de História e de Letras do Centro Universitário da Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), Fabio Martinelli , se encantava com poemas. E a partir deste ponto a sua ânsia para estudar o conhecido “poeta da morte”, Augusto dos Anjos, só cresceu.

Martinelli é graduado e especializado em História. Durante sua graduação, o professor começa a pensar na literatura maldita do Brasil no século XIX. Em seu mestrado, já iniciado no tema, o interesse se volta para pontos dos primeiros tradutores de Charles Baudelaire no Brasil, em especial o poeta – tido como parnasiano –, Teófilo Dias.

Augusto dos Anjos, de alguma maneira, está vinculado a literatura maldita, pois se torna um dos herdeiros de Baudelaire, com a sua poesia de putrefação. A ideia do doutorado seria iniciar uma pesquisa sobre Augusto, que deveria ser considerado um poeta moderno. Martinelli questiona que “se em 1857, na França, Baudelaire já é considerado o poeta da modernidade, por que o nosso Augusto dos Anjos, em 1910, seria menos moderno?”

Martinelli buscou relacionar o poeta brasileiro com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, já que ele trabalha com um pouco de tragédia – fator bastante forte e presente nas poesias do século XIX. Mas Augusto se alimenta de vários conjuntos de leituras em que Nietzsche está presente e não necessariamente seria um “seguidor” do filósofo.

Na pesquisa de Martinelli existem duas vertentes: o fato de que Augusto dos Anjos tem um gosto por certos temas que são caros à filosofia nietzschiana. Em outra, Augusto é visto como um nietzschiano.

Augusto dos Anjos perverte a ciência e o lirismo como poesia de amor para fazer aquela que vem do chão, das bactérias, dos fungos – a poesia universal. “O ser humano deveria involuir para se tornar o além homem”, afirma Martinelli, ao sintetizar a perspectiva do poeta brasileiro.

O trágico é aquilo que purifica o ser humano, e é a partir disto que se faz a poesia. É preciso desmitificar certos rótulos que são dados para os poetas brasileiros. Confunde-se muito a bibliografia do poeta com o seu eu lírico. Não é porque Augusto dos Anjos escreve sobre a morte que ele seria um “moribundo andante” ou que ele indique a morte, diz Martinelli.

O único livro do poeta é “Eu e outras poesias”, que em cada edição estoura em vendas. E não se sabe ao certo porque este tema vende tanto. Talvez seja porque a vida é árida, e as pessoas têm essa consciência. É preciso enfrentar a aridez da vida.

Martinelli escreve em um blog: sonsdemodorra.blogspot.com

Tamara Horn e Stephen Hoffman são alunos do Curso de
Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio

Fábio Martinelli, professor do Ceunsp

Iniciação esportiva ensina crianças a trabalhar em equipe


Bianca Binotto
Gabriel Maiante

(AECA Ceunsp Ciência) Um jogo pode ser apenas um jogo. O diferencial é como será trabalhado. Essa é a proposta dos estudantes de Educação Física do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio), José Werley Carvalho Braga e Maria Suélia dos Santos Silva. Com a orientação do professor doutor Rafael Pombo Menezes, eles produziram um artigo teórico – Processo de ensino-aprendizagem-treinamento de handebol para a categoria mirim em instituições não formais de ensino: concepções e metodologias sobre o ensinamento do handebol para crianças da categoria mirim (11 e 12 anos). O trabalho foi publicado na revista Conexões, da Unicamp (Universidade de Campinas).

Na prática, por ser um grupo em iniciação esportiva, serão trabalhadas técnicas básicas que podem ser aproveitadas para outras modalidades de esportes coletivos, como, por exemplo, o futsal. De acordo com Braga e Suélia, independentemente do objetivo pelo qual o jogador o pratica -- como uma forma de lazer, por questões de integração social ou mesmo buscando atingir altos níveis de rendimento --, o treinamento de base é a ferramenta primordial para tais desenvolvimentos. A ideia é não especializar as crianças precocemente.

As crianças escolhidas para a pesquisa são alunos do professor Rafael Menezes, que, além de dar aulas no Ceunsp, cuida do handebol de Itu. Foram utilizados dois métodos de ensinamentos básicos. Um é o método global, onde várias brincadeiras e ações divertidas são passadas para que as crianças aprendam as regras, sem que isso se torne algo cansativo e disciplinar. O outro é o institucional, que possui uma intenção mais séria de passar as regras e objetivos do handebol. Tem ainda o intuito de simular situações que ocorrem em campo, como ataque contra defesa, nos quais o atleta terá de trabalhar em equipe para conquistar o objetivo.

Ao passar esses dois métodos, segundo os estudantes, é possível perceber que, nos esportes coletivos, o trabalho em equipe vem em primeiro lugar. É preciso aprender a deixar o individual em segundo plano, por mais que possam existir dificuldades em situação de jogo. E, o uso do método global trás como benefício a integração e relação social entre os jogadores. Diferente dos métodos de repetição de gesto técnico. O esporte é indicado por desenvolver as técnicas de jogo e controle, além de divertir os praticantes.


Bianca Binotto e Gabriel Maiante são estudantes do
Curso de Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio

Maria Suélia e José Werley são graduandos de Educação Física no Ceunsp




quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Brincando de aprender


Anderson Luiz
Larissa Ferreira

(AECA Ceunsp Ciência) Responda rápido, você ainda se lembra de algum professor que teve na infância? Se a resposta foi sim, então os ensinamentos dele foram além dos conteúdos pedagógicos e, provavelmente, ele deve ter lhe deixado lições que são úteis em diversos momentos da sua vida e que não estão nos livros didáticos.

Danilo de Moraes Ming, 22, e Paulo Henrique Muniz, 21, estudantes do último ano do curso de Educação Física do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio) provavelmente permanecerão por muito tempo nas memórias de alguns de seus alunos.


Os estudantes estagiaram no Sesi de Itu e, ao longo dessa experiência, perceberam os diferentes níveis de desenvolvimento motor, cognitivo e psicossocial entre crianças de uma mesma faixa etária. Assim, surgiu a idéia de criar uma metodologia de ensino que possibilitasse equiparar a evolução desses alunos.


A elaboração desse método foi o trabalho de licenciatura apresentada pelos dois estudantes no final do ano passado. Danilo e Paulo Henrique, orientados pelo professor Rafael Pombo, queriam ensinar os alunos a pensar rápido e executar os melhores movimentos durante uma competição. “Nas escolinhas de esporte ensinam as crianças a chutar e defender, mas esquecem de mostrar a elas a importância de se fazer uma análise das melhores ações para cada momento do jogo”, disse Paulo Henrique.


A pesquisa, feita com crianças de sete a nove anos, começou em uma partida da tradicional brincadeira infantil, o pique bandeira. Primeiro, os estudantes pediram para que o grupo jogasse como estava acostumado. A atividade foi filmada e o resultado mostrou crianças gritando e correndo em diversas direções, sem nenhuma preocupação com o jogo e sim em roubar a bandeira da equipe adversária.

Para evitar que as crianças se inibissem diante das câmeras algumas atividades anteriores também foram filmadas, para que a classe se acostumasse com os equipamentos de filmagem. Após análise das gravações, eles não aplicaram mais o pique bandeira e partiram para outras atividades como o corre cotia e mãe da rua.

Depois de algumas aulas e das orientações passadas às crianças – especialmente voltadas às questões de estratégia --, os professores voltaram a aplicar a primeira brincadeira e perceberam, depois de analisar uma nova filmagem, que as crianças estavam mais preocupadas com os aspectos táticos e em ocupar espaços na quadra do que em roubar a bandeira do time adversário.


Ao final do trabalho eles perceberam a evolução dos alunos. A dupla relembra o caso de um menino que tinha sérios problemas de convívio e que após participar das atividades da pesquisa, melhorou o comportamento durante as aulas, passando a se empenhar mais.


Os dois estudantes estão trabalhando, separadamente, em suas teses de bacharelado, que serão apresentadas no final desse ano. Danilo está pesquisando sobre a melhor forma de se tratar o rompimento de ligamentos do joelho através de exercícios físicos em academias., Já Paulo Henrique partiu para o estudo das variáveis cardíacas de jogadores de handebol durante os treinos.


Mesmo apaixonado pela profissão, Danilo diz que a Educação Física está sendo banalizada. “Passamos por um processo de formação, mas vemos que na prática é muito diferente: nossa área é mais do que a prática de esporte; é o conhecimento do próprio corpo.” Para Paulo Henrique um dos problemas é a falta de especialização dos professores. Ele diz que “muitos alunos passam pela fase escolar sem entender o objetivo da nossa matéria.”


Além de influenciar no desenvolvimento da tese, o estágio no Sesi fez com que Danilo descobrisse o quanto gosta de lecionar. “É mais importante acompanhar o desenvolvimento de uma criança desde o início da vida escolar do que ficar dentro de uma academia”, diz


Paulo Henrique conta que depois de acompanhar a equipe de handebol de Itu em uma competição percebeu como um técnico esportivo pode mudar a vida de uma pessoa. “O esporte por si só não salva ninguém de uma realidade de risco, o professor é fundamental no processo de transformação da vida de um atleta”, finaliza.



Anderson Luiz e Larissa Ferreira são alunos do
Curso de Jornalismo do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio).


Prisões longas não recuperam


Larissa Santos
Jéssica Nascimento
Fernando Santos

(AECA Ceunsp Ciência) A ineficácia das prisões longas na regeneração dos presos. Essa é a principal ideia da tese de doutorado a ser desenvolvida pelo professor Laércio Veloso, coordenador do curso de Direito do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp). Formado há 25 anos, sua especialização é ciência criminal, no campo de direito penal. Nos meses de férias escolares, faz doutorado na Universidade de Buenos Aires, na Argentina. “Quero desenvolver uma tese focando exatamente a desnecessidade ou prejuízo que uma pena privativa de liberdade traz a seu condenado quando são colocadas longas penas”, conta.
O professor terá base em dados estatísticos, entrevistas, e toda uma pesquisa em torno desse assunto. Irá até as unidades prisionais, tentará dialogar diretamente com os presos, funcionários e a família. A conclusão da tese está prevista para 2013.

Superlotação, péssimas condições de higiene, falta de privacidade, ociosidade, estresse psicológico e saudades da família são situações comuns aos presos. “Há algum tempo eu convivo com isso (ciência criminal) e o que vejo é a reincidência aumentando, ou seja, as pessoas que estão presas voltam para a cadeia, não se recuperam. Isso porque na prisão as chances de recuperação são muito pequenas”, afirma Veloso.

Muitos empresários se negam a contratar ex-detentos. O que ocorre é que sem oportunidade de ter uma vida como antes, eles acabam por voltar para o mundo do crime. “Vamos fazer um cálculo singelo. Se a pessoa for condenada aos 20 anos e ficar presa por 30 anos – o máximo permitido pela legislação brasileira – ela sairá aos 50 anos. Quais seriam as chances dessa pessoa se reintegrar à sociedade? Quase zero”, ressalta.

É só olhar para a situação dos presídios para ver que o sistema carcerário brasileiro é muito falho no quesito atividades de ocupação. Uma das maneiras de fazer com que o detento se reintegre à sociedade é impor alguns trabalhos em prol da própria comunidade. “Punir não está, ou não pode estar, ligado só a tempo de prisão. O preso pode cumprir a pena de diversas formas como, por exemplo, prestando algum serviço gratuito à sociedade”, lembra Veloso. “Eu acho que punir não está só na intensidade da condenação. O punir também está na qualidade da punição. Dando ao individuo uma pena menor, estudos, formação profissional, haverá resultado”, completa.

Embora bastante polêmica, a prisão perpétua e pena de morte são uma realidade em alguns países, como os Estados Unidos. Segundo Veloso, a lei brasileira é melhor se comparada a dos norte-americanos, por exemplo. A aplicação dela é que não é tão eficaz assim. Uma prisão perpétua não traz nada de bom pra sociedade. Além disso, na pena de morte existe a possibilidade de ocorrer um erro e não há como reverter. Ao condenar uma pessoa a morte é necessário ter a certeza absoluta e o sistema é falho. “Eu não vejo no Brasil nem no mundo esse tipo de pena como solução”, opina.

Tantos anos na cadeia certamente deixam o preso acomodado e acostumado com a “vida boa” que tem. “Aqui fora são cobrados das pessoas comportamento social, trabalhos, estudos. E dentro da cadeia: nada. Qual é o comportamento dele aqui fora: contas pelos gastos, pelo consumo e na cadeia não gastam com nada. Um outro fenômeno é que a pessoa fica tanto tempo na cadeia que quando ela sai não sabe como se comportar”, salienta o professor.

No âmbito nacional tem-se a impressão de que punir é mais fácil que ressocializar. Os condenados passam anos sem fazer nada, apenas comendo, bebendo e descansando. “Punir é mais barato. Se você fizer um modelo de ressocialização exemplar o gasto sairá maior. A educação básica no Brasil não é de boa qualidade. Se é concedido um beneficio desses ao preso a população se acha enganada, porque o preso tem três refeições ao dia, enquanto muitos trabalhadores não têm isso. E a revolta, é porque o preso tem ou porque o trabalhador não tem? O preso tem o básico e o trabalhador tem chance de ter mais do que isso. Tanto que se tirar do preso não vai para quem realmente precisa”, comenta Veloso.

Na conclusão de sua tese a intenção do pesquisador será mostrar a perda de valores que sofre a sociedade, a vítima e principalmente o acusado ao ser condenado a longas penas. Sendo assim, o professor concorda com a ideia de que a prisão é o meio mais caro de tornar uma pessoa pior.


Box
EUA executam preso em caso repleto de dúvidas



Em Jackson, na Geórgia, um caso recente de pena de morte comoveu os EUA. Troy Davis, condenado em 1991 por matar um policial, foi executado minutos após a Suprema Corte ter negado um recurso de última hora apresentado pelos seus advogados - que alegavam haver falhas no processo. A pena de morte, que estava marcada, chegou a ser adiada devido ao recurso. Após quatro horas de deliberação, no entanto, a Suprema Corte anunciou que não impediria a execução por injeção letal.
Davis, de 42 anos, se transformou num símbolo da luta contra a pena capital. Desde sua condenação, sete das nove testemunhas mudaram suas declarações e algumas disseram ter sido coagidas pela polícia. Tampouco há arma ou prova física que ligue Davis ao crime.

O processo ganhou repercussão internacional, e três especialistas em Direitos Humanos da ONU pediram a intervenção do presidente Barack Obama. O presidente não poderia perdoar Davis, já que se trata de uma condenação estadual, mas um pedido seu de investigação federal adiou por algum tempo a execução.

O Conselho da Europa e a Chancelaria da França também pediram a suspensão da execução. "Ao executar um prisioneiro quando há sérias dúvidas sobre sua culpa, pode-se cometer um erro irreparável", dizia o comunicado do ministério francês.




Larissa Santos, Jéssica Nascimento e Fernando Santos são estudantes
do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp)


 
O advogado Laércio Veloso coordena o Curso de Direito do Ceunsp






quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ciência no esporte


Anderson Luiz
Jéssica Nascimento

(AECA Ceunsp Ciência) Alguém resolve questionar o “porquê” de algo, e não encontra as respostas. Então a curiosidade aumenta, inicia-se a busca por aquilo que possa saciar a “sede” da mente por respostas; assim podemos resumir o nascimento de uma pesquisa científica.

Rafael Pombo Menezes, professor do curso de Educação Física do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio) concorda com essa definição, pois foram perguntas sem respostas e a paixão por um esporte, do qual ele é técnico há 12 anos, que o levaram a desenvolver a pesquisa da sua dissertação de mestrado, que recebeu o título Analise cinemática das trajetórias de jogadores de handebol obtidas por rastreamento automático.

O objetivo da pesquisa era desenvolver um sistema de rastreamento de jogadores de handebol durante as partidas, que apresentasse dados sobre a distância percorrida e a velocidade de cada jogador durante os jogos. A ideia era que, com base nas informações coletadas, os técnicos pudessem ter parâmetros para a correta prescrição de um treino. “Cada vez mais é necessário aproximar a situação de treino do que é desenvolvido no jogo”, afirma Menezes.

O ponto alto da pesquisa foi em uma partida da liga de Indaiatuba de Handebol, onde quatro câmeras foram posicionadas diagonalmente, para que pudessem ser coletadas imagens de todos os cantos da quadra. Conforme Menezes, que integra o núcleo de pesquisas científicas da Unicamp desde 2001, as informações que esse sistema disponibiliza colaboram para a elaboração de treinos mais específicos, que se adequem as necessidades de cada jogador. A técnica vem sendo utilizada por times de rugby para cadeirantes e de futebol para deficientes visuais.

Para o professor, entre muitos outros benefícios, esse sistema pode ajudar o atleta na sua compreensão da partida, fazendo com que ele possa perceber o quanto de energia gastou e se essa foi gasta corretamente.

Anderson Luiz e Jéssica Nascimento são estudantes do curso de Jornalismo do Ceunsp
(Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio)


Rafael Menezes, mestre pela Unicamp 

O retrato ficcional da sociedade

Anderson Luiz
Jéssica Nascimento

(AECA Ceunsp Ciência) Abandonada pelo marido Josivaldo e com cinco filhos para sustentar. A jovem Maria do Carmo Ferreira da Silva, movida pelo desejo de um futuro melhor, iguala-se a milhares de nordestinos. Deixa o solo seco do sertão e vai em busca do ideal de progresso que parece “residir” no sudeste. Com os cinco filhos pequenos, alguns “trapos” como bagagem e o sonho de uma vida longe da miséria, ela desembarca no Rio de Janeiro em 13 de dezembro de 1968, data em que foi decretado pelo governo militar o AI-5.

Em meio à confusão, a jovem – que anos mais tarde seria conhecida como Do Carmo – tem sua filha roubada pela prostituta Nazaré. Que forjou uma gravidez para fazer com que seu amante deixasse a mulher e a filha e casasse com ela. Assim começa Senhora do Destino, uma das novelas de maior sucesso da história da televisão brasileira.

Essa foi a fonte de inspiração para a tese de doutorado de Josefina de Fátima Tranquilin Silva. A Fina – como é conhecida – é doutora em Antropologia pela PUC de São Paulo e professora dos cursos de comunicação e artes do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp). O trabalho da professora ganhou o título O erótico em Senhora do Destino: a recepção da telenovela em Vila Pouca do Campo, uma pequena cidade portuguesa nos arredores de Coimbra, em Portugal.

A princípio, a pesquisadora queria descobrir como os produtores das telenovelas da Rede Globo de Televisão trabalhavam o gênero erótico. Como era produzido e se eles tinham a noção do erotismo que existia no produto. Mas a troca de gestores do departamento Globo Universidade, que aconteceu na época, acabou sendo um empecilho para que ela tivesse acesso às centrais de produção. Então objeto de estudo mudou e Fina resolveu pesquisar como os telespectadores veem a questão do erotismo. “Todos falam muito sobre isso, mais ninguém vai perguntar ao receptor o que ele pensa”, diz a professora.

Após a mudança do objeto de estudo, ela recebeu uma proposta de sua orientadora para realizar a pesquisa em Portugal, que até 2005 estava entre os países que mais compravam e assistiam novelas da Rede Globo. Segundo a pesquisadora, o fato das telenovelas abordarem temas universais como, o amor, o ódio e o erotismo explica o sucesso da exportação dessa produção cultural.

E assim como a protagonista Maria do Carmo, que saiu de Belém do São Francisco, no sertão de Pernambuco, em janeiro de 2005 Fina embarcou para Portugal, com o intuito de pesquisar a recepção da novela de Agnaldo Silva em Coimbra. Mas, como a própria pesquisadora disse, “o destino parece interferir também no rumo de pesquisas científicas”. Depois de atravessar o oceano, ela percebeu que avaliar a recepção do conteúdo erótico em um vilarejo, com aproximadamente dois mil habitantes, localizado a oito quilômetros de Coimbra, com uma população muito conservadora, seria mais enriquecedor para a sua tese.

Vila Pouca do Campo foi o lugar escolhido pela cientista social para ficar hospedada durante o tempo de sua pesquisa, já que era uma região tranquila, onde poderia estudar em paz. Mas, depois da recepção inesperada – todos os habitantes da vila aguardavam a chegada da brasileira que vinha estudar as novelas –, Fina percebeu que mais uma vez teria de deixar as estratégias de lado.
A professora brasileira ficou hospedada em uma extensão da casa da tia de Manuela, uma funcionária da Universidade de Coimbra, que a inseriu na vida do pacato lugar. “Tive de usar algumas estratégias para me aproximar das mulheres do local, aonde quer que eu fosse estava sempre acompanhada, de Manoela ou de seus familiares” relembrou a pesquisadora. “Aliás a tia da Manoela cuidou de mim como se eu fosse uma criança (risos), lavou minha roupa, cuidava da minha casa e até me fazia comida, e se eu chorava, de saudade lá estava ela ao meu lado”, lembrou Fina.

Mas a pesquisadora também enfrentou dificuldades para se aproximar das mulheres da vila. “Por termos este estereótipo de 'calientes', e por sermos diferentes da mulheres portuguesas, que são super conservadoras, foi um pouco difícil ganhar a confiança delas”, disse Fina sobre a relação com as entrevistadas.

Das impressões que Fina trouxe de Pouca do Campo, está a mentalidade machista da grande maioria dos homens do local, que, após saberem do foco da entrevista, proibiram suas mulheres de participarem. Fina também descreveu como é a vida noturna na vila: além da igreja existiam (na época) apenas três cafés. Mas só os homens frequentavam; mulheres nesses locais depois do pôr do sol só se fossem prostitutas. “Era fundamental para a minha pesquisa ir à um desses cafés, e como nenhuma mulher quis ir comigo acabei indo sozinha” – contou a pesquisadora – “só aguentei ficar por 10 minutos, os olhares eram insuportáveis.”

Estudos culturais

Tendo como base os estudos culturais ingleses, centrando-se nas obras do crítico e novelista Raymond Williams e do acadêmico Richard Hoggart, e na Teoria das Medições do semiólogo colombiano Jesús Martín-Barbero, a pesquisa contou com a entrevista de oito mulheres. A princípio, a pesquisadora queria realizar dez entrevistas, mas não conseguiu atingir esse número, devido às dificuldades que foram ocasionadas pela timidez que afugentava algumas mulheres e também pela proibição dos maridos.

Antes de embarcar para a Europa, Fina reuniu 15 cenas que ela considerou eróticas, tomando o devido cuidado para que não entrasse nenhuma cena que fosse inédita em Portugal, já que a novela começou a ser exibida lá quatro meses depois de sua estreia no Brasil. As entrevistas eram realizadas nas casas das mulheres que aceitavam participar, as cenas selecionadas eram apresentadas às entrevistadas em um notebook, já que não existia a possibilidade de assistir a novela com elas, pois ela ia ao ar após as 22 horas.

As entrevistadas tinham entre 19 e 50 anos de idade e suas respostas mostraram que a forma de assistir novelas dos portugueses é muito diferente da dos brasileiros. O que acontece nas tramas globais não vira assunto das rodas de conversa. Nas salas de visitas (local onde eram realizadas as entrevistas), Fina ouviu as críticas dessas mulheres, que as vezes se referiam aos momentos eróticos da trama como “cenas porcas.”

Segundo a pesquisadora o constrangimento era nítido. Ela percebia como as portuguesas ficavam incomodadas com aquilo, mas, mesmo assim, não desviavam o olhar. Fina acredita que essas mesmas entrevistadas, quando estão assistindo a um capítulo qualquer, não mudam o canal quando cenas como as que lhes foram apresentadas vão ao ar.

A pesquisadora relembra duas entrevistas que foram gravadas às escondidas, pois os maridos haviam proibido as esposas de participarem. Vila Pouca do Campo, que pode ser considerada um vilarejo de camada popular, dentro dos padrões econômicos europeus, é uma região de população majoritariamente composta de operários e faxineiras, que chegam a faturar por mês salários de aproximadamente 400 euros. O espirito batalhador dessa gente é, para a pesquisadora, o que explica a identificação das mulheres acima dos 30 anos com a protagonista Maria do Carmo, personagem interpretada pela atriz Suzana Vieira.

A identificação com os personagens ia além. Fina conta que era possível observar uma certa simpatia pela vilã Nazaré Tedesco, personagem interpretada pela atriz Renata Sorah. Já as entrevistadas que tinha entre 19 e 30 anos admiravam a personagem Duda, vivida pela atriz Débora Falabella, uma jovem rica apaixonada por Viriato, um rapaz de classe média, personagem de Marcelo Antony.

Após cinco meses em Vila Pouca do Campo, a pesquisadora voltou para o Brasil, trazendo o material que seria necessário para a elaboração de sua tese e uma experiência de vida inesquecível.

A fórmula mágica

Fina acredita que é o conjunto da obra que faz uma novela de sucesso. As músicas, os cenários, os figurinos e as pessoas como autores, diretores, roteiristas e atores interagem para chegar ao público. Sem esquecer o que ela chama de território de ficcionalidade, um conceito do teólogo francês João Calvino. A pesquisadora considera o melodrama como o principal território de ficcionalidade, pois é um elemento da novela que arrebata as pessoas.

O melodrama, característica de todas as novelas, é uma das garantias de sucesso, seja no Rio de Janeiro ou em Vila Pouca do Campo. Fina destacou que a maciça participação de atores de teatro nos folhetins de TV foi um dos fatores que deram à novela brasileira a excelência que ela possui hoje.

A tese de doutorado foi defendida em 2007, mas os estudos foram além. Em 2010 Fina passou a integrar um núcleo de estudos da PUC de São Paulo que desenvolveu uma pesquisa para a OBITEL (Observatório Ibero-Americano de Ficção Televisiva). 
 
Foi realizada uma varredura nas redes sociais, buscando no orkut, no twitter e no youtube informações que mostrassem como a rede Globo de televisão está se adaptando à revolução da informação. E como os telespectadores utilizam as redes sociais para detonar um fluxo de conteúdo, a pesquisadora acredita que a relação novela-redes sociais pode se intensificar, até onde as produtoras permitirem.

Anderson Luiz e Jéssica Nascimento são estudantes do curso de Jornalismo do Ceunsp
(Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio)


  Josefina Tranquilin, doutora em Antropologia