quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Ciência no esporte


Anderson Luiz
Jéssica Nascimento

(AECA Ceunsp Ciência) Alguém resolve questionar o “porquê” de algo, e não encontra as respostas. Então a curiosidade aumenta, inicia-se a busca por aquilo que possa saciar a “sede” da mente por respostas; assim podemos resumir o nascimento de uma pesquisa científica.

Rafael Pombo Menezes, professor do curso de Educação Física do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio) concorda com essa definição, pois foram perguntas sem respostas e a paixão por um esporte, do qual ele é técnico há 12 anos, que o levaram a desenvolver a pesquisa da sua dissertação de mestrado, que recebeu o título Analise cinemática das trajetórias de jogadores de handebol obtidas por rastreamento automático.

O objetivo da pesquisa era desenvolver um sistema de rastreamento de jogadores de handebol durante as partidas, que apresentasse dados sobre a distância percorrida e a velocidade de cada jogador durante os jogos. A ideia era que, com base nas informações coletadas, os técnicos pudessem ter parâmetros para a correta prescrição de um treino. “Cada vez mais é necessário aproximar a situação de treino do que é desenvolvido no jogo”, afirma Menezes.

O ponto alto da pesquisa foi em uma partida da liga de Indaiatuba de Handebol, onde quatro câmeras foram posicionadas diagonalmente, para que pudessem ser coletadas imagens de todos os cantos da quadra. Conforme Menezes, que integra o núcleo de pesquisas científicas da Unicamp desde 2001, as informações que esse sistema disponibiliza colaboram para a elaboração de treinos mais específicos, que se adequem as necessidades de cada jogador. A técnica vem sendo utilizada por times de rugby para cadeirantes e de futebol para deficientes visuais.

Para o professor, entre muitos outros benefícios, esse sistema pode ajudar o atleta na sua compreensão da partida, fazendo com que ele possa perceber o quanto de energia gastou e se essa foi gasta corretamente.

Anderson Luiz e Jéssica Nascimento são estudantes do curso de Jornalismo do Ceunsp
(Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio)


Rafael Menezes, mestre pela Unicamp 

O retrato ficcional da sociedade

Anderson Luiz
Jéssica Nascimento

(AECA Ceunsp Ciência) Abandonada pelo marido Josivaldo e com cinco filhos para sustentar. A jovem Maria do Carmo Ferreira da Silva, movida pelo desejo de um futuro melhor, iguala-se a milhares de nordestinos. Deixa o solo seco do sertão e vai em busca do ideal de progresso que parece “residir” no sudeste. Com os cinco filhos pequenos, alguns “trapos” como bagagem e o sonho de uma vida longe da miséria, ela desembarca no Rio de Janeiro em 13 de dezembro de 1968, data em que foi decretado pelo governo militar o AI-5.

Em meio à confusão, a jovem – que anos mais tarde seria conhecida como Do Carmo – tem sua filha roubada pela prostituta Nazaré. Que forjou uma gravidez para fazer com que seu amante deixasse a mulher e a filha e casasse com ela. Assim começa Senhora do Destino, uma das novelas de maior sucesso da história da televisão brasileira.

Essa foi a fonte de inspiração para a tese de doutorado de Josefina de Fátima Tranquilin Silva. A Fina – como é conhecida – é doutora em Antropologia pela PUC de São Paulo e professora dos cursos de comunicação e artes do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp). O trabalho da professora ganhou o título O erótico em Senhora do Destino: a recepção da telenovela em Vila Pouca do Campo, uma pequena cidade portuguesa nos arredores de Coimbra, em Portugal.

A princípio, a pesquisadora queria descobrir como os produtores das telenovelas da Rede Globo de Televisão trabalhavam o gênero erótico. Como era produzido e se eles tinham a noção do erotismo que existia no produto. Mas a troca de gestores do departamento Globo Universidade, que aconteceu na época, acabou sendo um empecilho para que ela tivesse acesso às centrais de produção. Então objeto de estudo mudou e Fina resolveu pesquisar como os telespectadores veem a questão do erotismo. “Todos falam muito sobre isso, mais ninguém vai perguntar ao receptor o que ele pensa”, diz a professora.

Após a mudança do objeto de estudo, ela recebeu uma proposta de sua orientadora para realizar a pesquisa em Portugal, que até 2005 estava entre os países que mais compravam e assistiam novelas da Rede Globo. Segundo a pesquisadora, o fato das telenovelas abordarem temas universais como, o amor, o ódio e o erotismo explica o sucesso da exportação dessa produção cultural.

E assim como a protagonista Maria do Carmo, que saiu de Belém do São Francisco, no sertão de Pernambuco, em janeiro de 2005 Fina embarcou para Portugal, com o intuito de pesquisar a recepção da novela de Agnaldo Silva em Coimbra. Mas, como a própria pesquisadora disse, “o destino parece interferir também no rumo de pesquisas científicas”. Depois de atravessar o oceano, ela percebeu que avaliar a recepção do conteúdo erótico em um vilarejo, com aproximadamente dois mil habitantes, localizado a oito quilômetros de Coimbra, com uma população muito conservadora, seria mais enriquecedor para a sua tese.

Vila Pouca do Campo foi o lugar escolhido pela cientista social para ficar hospedada durante o tempo de sua pesquisa, já que era uma região tranquila, onde poderia estudar em paz. Mas, depois da recepção inesperada – todos os habitantes da vila aguardavam a chegada da brasileira que vinha estudar as novelas –, Fina percebeu que mais uma vez teria de deixar as estratégias de lado.
A professora brasileira ficou hospedada em uma extensão da casa da tia de Manuela, uma funcionária da Universidade de Coimbra, que a inseriu na vida do pacato lugar. “Tive de usar algumas estratégias para me aproximar das mulheres do local, aonde quer que eu fosse estava sempre acompanhada, de Manoela ou de seus familiares” relembrou a pesquisadora. “Aliás a tia da Manoela cuidou de mim como se eu fosse uma criança (risos), lavou minha roupa, cuidava da minha casa e até me fazia comida, e se eu chorava, de saudade lá estava ela ao meu lado”, lembrou Fina.

Mas a pesquisadora também enfrentou dificuldades para se aproximar das mulheres da vila. “Por termos este estereótipo de 'calientes', e por sermos diferentes da mulheres portuguesas, que são super conservadoras, foi um pouco difícil ganhar a confiança delas”, disse Fina sobre a relação com as entrevistadas.

Das impressões que Fina trouxe de Pouca do Campo, está a mentalidade machista da grande maioria dos homens do local, que, após saberem do foco da entrevista, proibiram suas mulheres de participarem. Fina também descreveu como é a vida noturna na vila: além da igreja existiam (na época) apenas três cafés. Mas só os homens frequentavam; mulheres nesses locais depois do pôr do sol só se fossem prostitutas. “Era fundamental para a minha pesquisa ir à um desses cafés, e como nenhuma mulher quis ir comigo acabei indo sozinha” – contou a pesquisadora – “só aguentei ficar por 10 minutos, os olhares eram insuportáveis.”

Estudos culturais

Tendo como base os estudos culturais ingleses, centrando-se nas obras do crítico e novelista Raymond Williams e do acadêmico Richard Hoggart, e na Teoria das Medições do semiólogo colombiano Jesús Martín-Barbero, a pesquisa contou com a entrevista de oito mulheres. A princípio, a pesquisadora queria realizar dez entrevistas, mas não conseguiu atingir esse número, devido às dificuldades que foram ocasionadas pela timidez que afugentava algumas mulheres e também pela proibição dos maridos.

Antes de embarcar para a Europa, Fina reuniu 15 cenas que ela considerou eróticas, tomando o devido cuidado para que não entrasse nenhuma cena que fosse inédita em Portugal, já que a novela começou a ser exibida lá quatro meses depois de sua estreia no Brasil. As entrevistas eram realizadas nas casas das mulheres que aceitavam participar, as cenas selecionadas eram apresentadas às entrevistadas em um notebook, já que não existia a possibilidade de assistir a novela com elas, pois ela ia ao ar após as 22 horas.

As entrevistadas tinham entre 19 e 50 anos de idade e suas respostas mostraram que a forma de assistir novelas dos portugueses é muito diferente da dos brasileiros. O que acontece nas tramas globais não vira assunto das rodas de conversa. Nas salas de visitas (local onde eram realizadas as entrevistas), Fina ouviu as críticas dessas mulheres, que as vezes se referiam aos momentos eróticos da trama como “cenas porcas.”

Segundo a pesquisadora o constrangimento era nítido. Ela percebia como as portuguesas ficavam incomodadas com aquilo, mas, mesmo assim, não desviavam o olhar. Fina acredita que essas mesmas entrevistadas, quando estão assistindo a um capítulo qualquer, não mudam o canal quando cenas como as que lhes foram apresentadas vão ao ar.

A pesquisadora relembra duas entrevistas que foram gravadas às escondidas, pois os maridos haviam proibido as esposas de participarem. Vila Pouca do Campo, que pode ser considerada um vilarejo de camada popular, dentro dos padrões econômicos europeus, é uma região de população majoritariamente composta de operários e faxineiras, que chegam a faturar por mês salários de aproximadamente 400 euros. O espirito batalhador dessa gente é, para a pesquisadora, o que explica a identificação das mulheres acima dos 30 anos com a protagonista Maria do Carmo, personagem interpretada pela atriz Suzana Vieira.

A identificação com os personagens ia além. Fina conta que era possível observar uma certa simpatia pela vilã Nazaré Tedesco, personagem interpretada pela atriz Renata Sorah. Já as entrevistadas que tinha entre 19 e 30 anos admiravam a personagem Duda, vivida pela atriz Débora Falabella, uma jovem rica apaixonada por Viriato, um rapaz de classe média, personagem de Marcelo Antony.

Após cinco meses em Vila Pouca do Campo, a pesquisadora voltou para o Brasil, trazendo o material que seria necessário para a elaboração de sua tese e uma experiência de vida inesquecível.

A fórmula mágica

Fina acredita que é o conjunto da obra que faz uma novela de sucesso. As músicas, os cenários, os figurinos e as pessoas como autores, diretores, roteiristas e atores interagem para chegar ao público. Sem esquecer o que ela chama de território de ficcionalidade, um conceito do teólogo francês João Calvino. A pesquisadora considera o melodrama como o principal território de ficcionalidade, pois é um elemento da novela que arrebata as pessoas.

O melodrama, característica de todas as novelas, é uma das garantias de sucesso, seja no Rio de Janeiro ou em Vila Pouca do Campo. Fina destacou que a maciça participação de atores de teatro nos folhetins de TV foi um dos fatores que deram à novela brasileira a excelência que ela possui hoje.

A tese de doutorado foi defendida em 2007, mas os estudos foram além. Em 2010 Fina passou a integrar um núcleo de estudos da PUC de São Paulo que desenvolveu uma pesquisa para a OBITEL (Observatório Ibero-Americano de Ficção Televisiva). 
 
Foi realizada uma varredura nas redes sociais, buscando no orkut, no twitter e no youtube informações que mostrassem como a rede Globo de televisão está se adaptando à revolução da informação. E como os telespectadores utilizam as redes sociais para detonar um fluxo de conteúdo, a pesquisadora acredita que a relação novela-redes sociais pode se intensificar, até onde as produtoras permitirem.

Anderson Luiz e Jéssica Nascimento são estudantes do curso de Jornalismo do Ceunsp
(Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio)


  Josefina Tranquilin, doutora em Antropologia

terça-feira, 7 de junho de 2011

Luís Buñuel: o cinema surrealista

Gabriel Alves Leite
Débora Nogueira Juliano
 

O cineasta espanhol Luís Buñuel Portolés (1900-1983) é um dos mais controversos do mundo. Em suas obras emblemáticas estavam patentes de forma concentrada e intensa todos os temas básicos que a sua obra posterior continuaria a refletir mais discretamente, mas com igual poder: o amor louco, o anti-clericarismo, a rebeldia e o inconformismo diante do estabelecido e do convencional, uma ânsia de transcendência, expressos em imagens oníricas e alucinantes, cheias de dureza, de corrosivo humor negro.
Buñuel foi objeto de estudo do professor doutor Ricardo Zani, da Faculdade de Comunicação e Artes do Ceunsp. “Eu quero é discutir o quanto de história está inserida na obra de Buñuel e o meu objetivo é mostrar o quanto essas influências vividas pelo autor teve desde a sua infância na Espanha, um pais muito católico, muito rígido na educação e o quanto essa herança espanhola e o gosto pela idade média refletiram nos seus filmes", afirma Zani. Sua tese de doutorado, “O Carnaval Buñuelesco: Uma Aurora ao Entardecer”, foi defendida na Unicamp no ano passado.
O professor Ricardo Zani se formou bacharel em Artes Plásticas pela Unesp em 1997. E concluiu o seu mestrado sobre as obras surrealistas de Luís Buñuel em 2001, também na Unicamp. Desde 2000 leciona para alunos das áreas de Comunicação e de Artes.

“Na adolescência eu fazia umas associações meio estranhas sobre as imagens surrealistas e as músicas do Pink Floyd. Isso me levou a fazer um curso de Artes e desenvolver trabalhos práticos e até pesquisas na área do surrealismo. Na Unicamp, durante meu mestrado, acabei tendo contato com os filmes do Luís Buñuel e que também é cineasta surrealista. Daí desenvolvi uma dissertação no mestrado sobre ele. O doutorado, que na verdade é um desdobramento do mestrado é uma visão mais específica do que eu já tinha escrito,” completa o professor.

Como parte de sua pesquisa, Zani seleciona três filmes de três fases distintas de Buñuel. O primeiro é “O cão da luz”, que é o manifesto, o lançamento do cinema surrealista de fato e que representa a primeira fase do autor.

Depois ele analisa o filme “Veridiana”(1961) que é o da segunda fase, quando Buñuel está tentando fazer as pazes com o governo da Espanha, depois de ter sido convidado à sair do país. Vale lembrar que, nesta época, o país vivia sob ditadura do general Francisco Franco, uma das mais longas e reacionárias da Europa.

E “A bela da tarde”(1967), também é o obra mais conhecida dele, é o da terceira fase. Uma fase mais elaborada de seus filmes, período em que receberá um investimento maior para a realização de suas películas.

Zani faz um recorte desses três filmes e o analisa “Angelus”, do pintor realista francês Jean François Millet. “Além da própria análise da imagem, aí tem as leituras de autores que escreveram sobre Buñuel, dos autores que falam da carnavalização. Nesse caso, não podemos deixar de mencionar teórico russo Mikhail Bakhtine. Depois peguei os teóricos franceses que falam da Idade Média, como o historiador francês Le Goff e o Georges Duby. Depois eu selecionei estudiosos de Buñuel, como Augustín Sánchez Vidal e o Frederico Fellini que me ajudaram a concluir a minha tese de doutorado,” complementa Zani.

Carnavalização é a marginalização de padrões (sociais, morais, ideológicos) em favor de conteúdos mais ligados aos instintos e aos sentidos, ao riso, à sensualidade; condição do que apresenta essa ruptura e mistura de tais elementos.

Assim como em suas obras, a vida de Luís Buñuel é marcada pela contradição. Ele se dizia “ateu graças a Deus” apesar de ter tido uma formação muito rígida, e de ter estudado em colégio de jesuítas. Ao mesmo tempo, ele tinha uma relação muito forte com essas questões da Idade Média voltada para o baixo corporal, para o carnaval e pela exploração do corpo.

Além da contradição, o que aparece muito na obra de Buñuel é o grande amor louco surrealista que coloca a mulher como objeto de desejo que nunca é alcançado. E esta relação do cinema, das imagens, que são muito próximas da realidade e que se alternam com esse devaneio, com os sonhos e com o onírico. O cinema surrealista, sobretudo o de Buñuel, não distingue muito bem e não dá uma relação muito clara se o que estamos vendo é a realidade química ou o sonho do personagem.

Para o professor, Buñuel é visto como um cineasta difícil, porque sua narrativa não é linear. Ela não estabelece uma distinção clara entre a vida e os devaneios de seus personagens. Isto, para um espectador acostumado com uma narrativa clássica, torna-se desconfortável visualmente. Ele é visto como  um artista elitizado por tratar de questões próximas ao seu mundo, à sua educação burguesa e socialmente privilegiada.
Por fim a obra de Luis Buñuel deve ser vista como a representação do desejo e suas sombras. Deve ser vista como uma obra contraditória feita por um burguês que odiava a burguesia, realizada por um ateu que o era graças a Deus. 
Quem foi Buñuel
Luis Buñuel era o primogênito de sete filhos. O pai, ferreiro bem-sucedido, casou aos 43 anos; a mãe, Maria Portolés, então tinha 18. Quando a família se mudou para Saragoça, Buñuel iniciou os estudos com os jesuítas, recebendo a formação religiosa que se tornaria marcante em seus filmes.
Em 1917, foi para Madri, ingressando na faculdade de agronomia indo morar na residência estudantil, onde conheceu Federico García Lorca e Salvador Dalí. Deixou aquela faculdade para estudar filosofia e letras e graduou-se em 1924. No ano seguinte Buñuel, casou-se com Jeanne Rucar. Trabalhou na França com o cineasta Jean Epstein, como assistente de direção e roteirista e estudou na Academie du Cinéma (Paris).
Depois de tudo isso Buñuel apresentou vários filmes sendo o último "Meu Último Suspiro" (1982),  um livro charmoso e elucidativo. Vítima do câncer, morreu aos 83 anos na Cidade do México.


Gabriel Alves Leite e Débora Nogueira Juliano são estudantes do Curso de
 Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp)

terça-feira, 24 de maio de 2011

O corpo do poder

Márcio Luiz Fonseca

A professora e coordenadora dos cursos de comunicação do Ceunsp, Maria Paula Piotto, está desenvolvendo um estudo sobre os gestos dos presidentes do Brasil. O propósito da pesquisa é investigar posturas corporais que possam dizer algo do corpo político e foram veiculados pelas mídias.
 Maria Paula, que trabalha como docente no Ceunsp desde 2007, analisa os ex-presidentes João Batista Figueiredo, Tancredo Neves, José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva e a atual presidenta Dilma Vana Rousseff, na pesquisa que desenvolve em seu doutorado.
            A base dos estudos é a semiótica de Algirdas Julien Greimas e seus colaboradores, com ênfase nos estudos de Eric Landowski. Também a orientadora da pesquisa, professora doutora Ana Claúdia de Oliveira, da PUC-SP, que desenvolve estudos sobre a semiótica sincrética, integra o conjunto de autores utilizado por Maria Paula.
Como exemplo de gestos dos presidentes explorados pela mídia pode-se citar o “V” da vitória do Fernando Collor e a “mão de quatro dedos” em que Lula exibe o petróleo retirado da camada pré-sal. “Uma coisa é a foto oficial – o retrato – e outra é o que o fotojornalista captura. Isso pode ser chamado de flagrante, com muito mais informação”, sintetiza Piotto.

O que é Semiótica?

É a ciência geral dos signos e dos processos significativos (semiose) que estuda todos os fenômenos culturais como se fossem sistemas sígnicos, sistemas de significação. A Semiótica Discursiva é uma teoria e metodologia de análise com rigor científico que procura depreender a significação nos textos – verbais, visuais e sincréticos.
A semiótica propriamente dita teve seu início com filósofos como John Locke. Os principais pensadores da semiótica foram Algirdas Julius Greimas e Charles Sanders Peirce.
Peirce, cientista, matemático, historiador, filósofo e lógico norte-americano, é considerado o fundador da moderna Semiótica. Considerava o signo, seu objeto e sua interpretação como os três sujeitos da semiose. A linguagem seria o signo, a escrita e a fala seriam os objetos, e as várias teorias sobre a linguagem seriam a interpretação.
Greimas estudou Direito e Linguística, encabeçou a pesquisa semiótico-linguística em Paris. Para ele tudo pode ser signo conforme a nossa interpretação, deixando em estado mais abrangente o conceito de signo.

Márcio Luiz Fonseca é estudante do curso de Jornalismo do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio)

terça-feira, 19 de abril de 2011

Você almoçou com seu filho hoje?

Anderson Luiz
Jéssica Nascimento

(AECA Ceunsp Ciência) “Família, família/Almoça junto todo dia”. Esses versos da banda Titãs podem ser considerados a  síntese do que é apresentado pelo doutor Geraldo Fiamenghi, professor do curso de psicologia do Ceunsp em Itu, em seu artigo científico Rituais Familiares: Alternativas para a re-união das famílias, publicado na revista Psicologia: Teoria e Prática, da Universidade Mackenzie.
       No artigo, o autor defende que a retomada dos rituais familiares é a única forma de consertar a estrutura familiar atual. “Não são sofisticados, são coisas simples. A família reunida para jantar já pode ser considerado um ritual familiar” disse o  Fiamenghi.
       Estamos vendo o organismo, considerado a base da sociedade, em um processo de decadência que se  iniciou com o conceito de felicidade implantado pela mídia, no qual ser feliz está ligado à satisfação dos próprios desejos, sem levar em conta a vontade do outro. À isso, o pesquisador dá o nome de Civilização Umbilical, onde o “mundo” do indivíduo se resume ao seu umbigo. Conseqüentemente cada membro do conjunto familiar tornou-se individualista demais.
        Porém, todo o discurso consumista imposto pelos meios de comunicação é apenas um dos constituintes do processo de decadência da estrutura familiar. Para o psicólogo, a entrada da mulher no mercado de trabalho também é um agravante, pois com o pai e mãe fora de casa o dia inteiro, a criança se sente sem nenhum vínculo afetivo.
       “É preciso que os pais se lembrem que os filhos precisam deles por muito tempo” disse Fiamenghi. “Algumas mulheres não precisariam trabalhar, mas é melhor que trabalhem mesmo que não seja necessário e que deixem os filhos em algum lugar, pois existem mulheres que não possuem a menor condição de criar uma criança”.

Abusos e violência

       São muitas as discussões que compõem o artigo sobre a re-união das famílias mas um ponto que merece um destaque diz respeito as condições financeiras. Para Fiamenghi a falta de dinheiro não significa que, necessariamente se terá uma má estrutura familiar. O que realmente pode abalar os vínculos de uma família são situações de violência e abuso, e o psicologo alerta: “Abusos não estão diretamente ligados ao estado de miséria, conheço famílias de classe média alta onde os pais abusam dos filhos”.
        O autor vai além em seu artigo. Ele afirma que um fato comum nas reuniões de pais e mestres das escolas de classe média alta é a presença cada vez maior de empregados que, além de participar da vida escolar da criança, acabam tornando-se um dos poucos vínculos afetivos que muitas delas possuem. Mas para o especialista uma criança necessita --principalmente nos primeiros cinco anos de vida-- de um vínculo estável e o vai e vem do mercado de trabalho não permite  que esses laços criados entre os filhos dos patrões e os empregados se estabilizem.
       Hoje é muito comum ouvir duras críticas à postura dos jovens da atual geração mas, para Fiamenghi, essa apatia e esse conformismo com a realidade atual são frutos da educação que os pais --que nas décadas de 60 e 70 eram filhos-- receberam.
     Segundo o texto para reverter essa situação é necessário que os pais passem por um processo de  recuperação da educação, onde possam entender as dificuldades de ser pai. “É essencial a conversa com outros pais para que as pessoas possem compreender o significado de se ter um filho” disse o  professor do Ceunsp.

Hábitos simples

       E então surge a questão de como preservar ou recuperar as relações humanas dentro da família.
       Para o pesquisador os mais simples hábitos que constituem a realidade familiar são a solução do problema: jantar em família, visitas à casa dos avós em finais de semana, confraternizações de Natal e até mesmo situações corriqueiras, como cantar uma canção de ninar ou ler uma história para a criança são formas de se estreitar as relações humanas. Segundo o psicólogo são nesses rituais familiares que os valores essenciais para a formação de um indivíduo são transmitidos. Fiamenghi acredita que os chamados pit-boys são entre outros motivos, resultado da falta de se ensinar a criança a dizer as chamadas “palavras mágicas” como “por favor” e “muito obrigado”.
       A existência desses rituais são de tal importância que até crianças órfãs sentem falta dessa rotina. Mesmo sem uma família elas estão acostumadas à realidade do abrigo onde vivem e desenvolvem seus vínculos sentimentais no convívio com os colegas e com os responsáveis pelo local.
       E isso não muda com uma criança filha de pais separados; as necessidades continuam sendo as mesmas. Com o divórcio, os pais devem se organizar para garantir a estabilidade emocional dos filhos. “O tempo é mais escasso, mas se a criança está acostumada a ir em uma determinada reunião de família isso não deve mudar”, defende o professor.
       Manter pequenos hábitos podem salvar a estrutura de uma família e também ajudar no combate ao stress. Segundo Fiamenghi, se um indivíduo puder contar com a presença dos familiares nos finais de semana para fazer algo divertido,  isso alivia a tensão do dia dia. “Com isso a  pessoa consegue entender que ela não é o única a passar por determinadas dificuldades, mas manter essa rotina deve ser um prazer e nunca uma obrigação”, lembra.
       Para o pesquisador o primeiro passo para a retomada da estrutura familiar são as pessoas voltarem a conversar e garantir vínculos reais para as crianças, que hoje estão acostumadas apenas aos relacionamentos das redes sociais, que não são o suficiente. “Se um bebê não tiver contato físico com outro indivíduo, ele morre”, disse Fiamenghi.

Anderson Luiz  e Jéssica Nascimento são estudantes do curso de Jornalismo do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio)

Professor doutor Geraldo Fiamenghi

Professor do Ceunsp lança livro

Gabriel Alves Leite
Débora Nogueira Juliano

(AECA Ceunsp Ciência) Ednilson Zanini, professor e coordenador do curso de Tecnologia em Logística do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp) lançou, em formato digital, em março, o livro Logística 360° Desvendando os bastidores da Logística de Eventos e Serviços.
O foco do livro é para Logística não industrial, ou seja, Logística de Serviços e Eventos. Os benefícios do conhecimento e das aplicações logística são observados em todos os setores de serviços, eventos, transportes, entre outros.
O objetivo é despertar no leitor o pensamento e a visão estratégica frente aos desafios da logística de serviços. Desenvolvendo assim uma visão mais ampla e preparando profissionais para as mais diversas áreas que envolvem a logística no mundo, através de fatos e situações reais.
“O que distingue a logística de eventos da logística empresarial é que a logística de eventos não é um processo contínuo, mas sim um projeto a ser desenvolvido e adequado para cada caso”, afirma Zanini.
O professor explica que “a logística é uma atividade meio, que auxilia, permite e proporciona condições para realização da atividade fim, seja ela industrial, serviços ou eventos.  É a área de Planejamento Estratégico, Operacional e Tático. Portanto a disciplina e o conhecimento de logística torna-se fundamental para alunos de todos os cursos”, conclui.
A partir do momento em que mais pessoas passam a entender melhor a logística, mais e melhores planejamentos são efetuados em todos os setores e consequentemente melhores condições são desenvolvidas. O impacto final é a melhoria geral dos níveis de serviços de todas as áreas e setores.
O leitor poderá comprar o livro, via internet, em www.biblioteca24horas.com.

Quem é o autor

Na função de docente, ministra aulas em cursos de graduação em Administração de Empresas, Relações Internacionais e Logística. Ednilson Zanini possui experiência de 25 anos em Gestão Sistêmica de Negócios, em empresas multinacionais. Atua como Consultor de negócios estratégicos para implantação de software de gestão empresarial integrada (ERP) e como coach empresarial.

Gabriel Alves Leite e Débora Nogueira Juliano são estudantes do Curso de Jornalismo
do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp)

                                                   Ednilson Zanini durante aula no Ceunsp