quarta-feira, 2 de novembro de 2011

O Tietê ao longo da História


Débora Nogueira Juliano

Carina Venâncio



(AECA Ceunsp Ciência) Sônia Chamon é professora de História da Arte no Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp). Graduou-se em Artes Plásticas na Faculdade Belas Artes, em São Paulo. Ela diz que sempre soube, desde criança que este seria seu caminho. “Arte sempre foi o meu norte”, conta.


Depois que terminou seu curso, Sônia fez pós-graduação na ECA- USP, em Semiologia, entre 1989 e 1990. O mestrado, em Artes Visuais, Sônia fez no Instituto de Arte da Unicamp- área de História da Arte. Mais tarde se casou, veio para o interior e começou sua vida aqui em Salto.


Em sua dissertação ela fez o levantamento e a análise da iconografia do rio Tietê, observando a diversidade de significações deste rio no decorrer de História e as representações plásticas correspondentes. Analisou brevemente a cartografia das primeiras monções; as obras dos artistas viajantes, em especial os que comprovadamente retrataram o rio Tietê, tendo como foco a questão da construção do imaginário sobre o Tietê a partir de sua iconografia. Sônia também se valeu da análise das pinturas referentes às monções que pertenceram ao acervo do Museu Paulista.


Sônia aconselha os que querem se dedicar à pesquisa, mesmo que seja ainda na graduação. “É legal amadurecer uma ideia e fazer algo que seja realmente significativo para você. Para fazer o mestrado, eu aguardei um momento em que pude realmente me dedicar a um tema apaixonante”, confessa.


A dissertação de Sônia Chamon, Iconografia do Rio Tietê, pode ser encontrada em www.bibliotecadigital.unicamp.br



Débora Nogueira Juliano e Carina Venâncio são estudantes do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio


 
Sônia Chamon é mestra em Artes Visuais

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Professora redescobre a moda através de suas memórias

Gabriel Alves Leite
Débora Ferreira Andrades

(AECA Ceunsp Ciência) A professora do curso de Design em Moda do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio Fátima Lúcia Cruz realizou na “Casa do Lago” (Unicamp), em setembro passado, uma exposição sobre moda, baseada em suas experimentações e lembranças.

Fátima é especialista em Moda e Criação pela Faculdade Santa Marcelina, especialista em Artes Visuais pela Unicamp e proprietária de quatro lojas de varejo no segmento de moda. Seus trabalhos são pautados por elementos recorrentes do universo cotidiano: tecidos, fios e roupas e por aquilo que há de mais sincero na professora.

Os tecidos de algodão, desde a sua origem no plantio, já possuem memórias, que remetem à minha história pessoal que, como uma máquina fotográfica busca o foco em determinado lugar no passado, para deixá-lo presente”, conta a professora.

Em seus trabalhos, Fátima faz questão do uso de fotografias, mas sem se preocupar muito com a técnica. A fotografia, para ela, é só um meio para registrar os objetos que lhe interessam, neste caso, roupas usadas. “As roupas que utilizo nas fotografias são usadas e, de alguma forma, mantêm uma relação de afetividade comigo. Cada uma delas conta uma história, retratando pessoas e acontecimentos relacionados à minha memória”, diz Fátima.

Roupas usadas me interessam, justamente por serem usadas. Impregnadas de memórias, são materiais de uso e elementos essenciais de para criação da minha poética pessoal. Roupas já usadas, justamente por terem a sua própria história, possuem memória, que surgem desde a fiação do tecido, passam pela criação da roupa, pela sua costura, e se unem à memória de quem as usa”, considera a especialista.

Segundo a professora, “no momento em que faço uso destas roupas, ocorre uma perda prática da roupa, num processo de apagamento que atinge a matéria enquanto ser-tecido. Esse suporte é planificado, transformado numa página de caderno, ou em outra estrutura narrativa, como imagem sequência.”

Para os trabalhos, Fátima prefere fotografar roupas de pessoas que gosta e que de alguma forma estão atreladas à sua memória. “Em alguns deles, retrato-me através da roupa, e nesse retratar-me sou objeto de mim mesma. As roupas impregnadas de histórias e memórias imprimem no tecido meus estados emocionais”, completa a professora.

A apresentação de seus trabalhos se dá sempre de forma intimista e fechada. Que considera ser uma característica de sua personalidade. Ao mesmo tempo existe sempre o desejo de que o observador desvende o seu universo. “As lembranças me surgem de um estado virtual para um estado real, através dos elementos que constituem os trabalhos que são a memória dos tecidos, da roupa que abriga, minha memória, minha história.”

Fátima afirma que não poderia realizar nenhum trabalho que não fosse feito dessa maneira. “Eu acredito que este processo está longe de encontrar um suporte final. O que sinto é uma sensação do inacabado, de coisas por fazer, e uma vontade grande de experimentações, de novas descobertas”, finaliza a professora”.

Gabriel Alves Leite e Débora Ferreira Andrades são estudantes do
Curso de Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio

Fátima Cruz, do curso de Design de Moda do Ceunsp

Roupas inteligentes para um breve futuro


Soraya Fernandes
Marcos Carra

(AECA Ceunsp Ciência) Você acha que uma roupa pode se comunicar? Você usaria um cachecol com todos os comandos de um celular? Segundo a coordenadora do curso de Design de Moda do Ceunsp, Luciane Panisson, com tantos avanços tecnológicos já é possível ter roupas inteligentes, que se comunicam através da comunicação não-verbal.

Os computadores vestíveis são roupas inteligentes que obedecem a comandos através de mecanismos não vistos. Luciane Panisson fez todo um mapeamento no mundo dos projetos desenvolvidos sobre os computadores vestíveis. Então fez uma classificação por área e encontrou projetos destinados à área da saúde, aplicações militares, esportes radicais e entretenimento e, por fim, os voltados à vestimenta, mas com comandos.

“Quando se fala de computador vestível trata-se de um protótipo, e não um produto, pois ainda não é amplamente desenvolvido no mercado”, disse Luciane. Interligados pelos computadores vestíveis, há roupas com tecidos inteligentes, que são quaisquer tecidos que tenham aplicação de tecnologia na fibra têxtil. São desde fibras terapêuticas que vão liberando em sua pele certos aromas, para terapias e tratamentos relaxantes, até tecidos que são feitos com nano tubo de carbono, ou nanotecnologia. Estes, conforme o comando, provocam reações no corpo.

Projetos de computadores vestíveis são feitos por empresas de comunicação e tecnologia. São mais voltados às aplicações militares, devido aos altos investimentos necessários. A sua comunicação é completa e não se percebe a máquina na roupa. Nos EUA, há muitos uniformes militares que já fazem monitoramento da saúde, contam os batimentos cardíacos e envia os resultados para uma base de dados, via wireless.

Os médicos, na base, fazem o monitoramento da saúde do soldado. Já existem projetos de roupas com tecidos com nanotecnologia capazes de fazer um tratamento prévio: se um soldado for baleado, é acionado um comando que leva o tecido a comprimir a região e estancar o sangramento. Também existem luvas que, em cada dedo, tem um comando, para ativar som, registro de imagens e o soldado se comunica com uma base sem que tenha que soltar a mão da arma.

Na área de comunicação, a France Telecom desenvolveu um cachecol multimídia, que tem teclado, tela, recebe dados, faz ligações, tem fone de ouvido e é lavável. É praticamente um telefone celular de se pendurar no pescoço. Há outros tipos de roupas mais simples, que usam baterias com receptor de luz para carregar a bateria, roupas de esportes radicais com GPS. Existem ainda relógios e colares que captam os batimentos do coração e mudam de cor, chamados de joalheria emotiva.

Nos dias atuais, o computador vestível é, para a sociedade, o que um computador era nos anos 60, uma possibilidade tecnológica do que pode vir a ser daqui alguns anos. “Vejo que o computador vestível daqui umas duas décadas vai se inserir no cotidiano, e seu custo deverá ser reduzido”, diz Luciane. “O computador vestível é interativo (não precisa ficar raciocinando por ele), é um projeto que está em fase de desenvolvimento, já foi apresentado, teve resultados, mas ainda não foi difundido no mercado”, finaliza.

Soraya Fernandes e Marcos Carra são estudantes do
Curso de Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio

A desmistificação de um poeta


Tamara Horn
Stephen Hoffman

(AECA Ceunsp Ciência) O interesse pela literatura começou cedo. Desde criança, o professor dos cursos de História e de Letras do Centro Universitário da Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp), Fabio Martinelli , se encantava com poemas. E a partir deste ponto a sua ânsia para estudar o conhecido “poeta da morte”, Augusto dos Anjos, só cresceu.

Martinelli é graduado e especializado em História. Durante sua graduação, o professor começa a pensar na literatura maldita do Brasil no século XIX. Em seu mestrado, já iniciado no tema, o interesse se volta para pontos dos primeiros tradutores de Charles Baudelaire no Brasil, em especial o poeta – tido como parnasiano –, Teófilo Dias.

Augusto dos Anjos, de alguma maneira, está vinculado a literatura maldita, pois se torna um dos herdeiros de Baudelaire, com a sua poesia de putrefação. A ideia do doutorado seria iniciar uma pesquisa sobre Augusto, que deveria ser considerado um poeta moderno. Martinelli questiona que “se em 1857, na França, Baudelaire já é considerado o poeta da modernidade, por que o nosso Augusto dos Anjos, em 1910, seria menos moderno?”

Martinelli buscou relacionar o poeta brasileiro com o filósofo alemão Friedrich Nietzsche, já que ele trabalha com um pouco de tragédia – fator bastante forte e presente nas poesias do século XIX. Mas Augusto se alimenta de vários conjuntos de leituras em que Nietzsche está presente e não necessariamente seria um “seguidor” do filósofo.

Na pesquisa de Martinelli existem duas vertentes: o fato de que Augusto dos Anjos tem um gosto por certos temas que são caros à filosofia nietzschiana. Em outra, Augusto é visto como um nietzschiano.

Augusto dos Anjos perverte a ciência e o lirismo como poesia de amor para fazer aquela que vem do chão, das bactérias, dos fungos – a poesia universal. “O ser humano deveria involuir para se tornar o além homem”, afirma Martinelli, ao sintetizar a perspectiva do poeta brasileiro.

O trágico é aquilo que purifica o ser humano, e é a partir disto que se faz a poesia. É preciso desmitificar certos rótulos que são dados para os poetas brasileiros. Confunde-se muito a bibliografia do poeta com o seu eu lírico. Não é porque Augusto dos Anjos escreve sobre a morte que ele seria um “moribundo andante” ou que ele indique a morte, diz Martinelli.

O único livro do poeta é “Eu e outras poesias”, que em cada edição estoura em vendas. E não se sabe ao certo porque este tema vende tanto. Talvez seja porque a vida é árida, e as pessoas têm essa consciência. É preciso enfrentar a aridez da vida.

Martinelli escreve em um blog: sonsdemodorra.blogspot.com

Tamara Horn e Stephen Hoffman são alunos do Curso de
Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio

Fábio Martinelli, professor do Ceunsp

Iniciação esportiva ensina crianças a trabalhar em equipe


Bianca Binotto
Gabriel Maiante

(AECA Ceunsp Ciência) Um jogo pode ser apenas um jogo. O diferencial é como será trabalhado. Essa é a proposta dos estudantes de Educação Física do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio), José Werley Carvalho Braga e Maria Suélia dos Santos Silva. Com a orientação do professor doutor Rafael Pombo Menezes, eles produziram um artigo teórico – Processo de ensino-aprendizagem-treinamento de handebol para a categoria mirim em instituições não formais de ensino: concepções e metodologias sobre o ensinamento do handebol para crianças da categoria mirim (11 e 12 anos). O trabalho foi publicado na revista Conexões, da Unicamp (Universidade de Campinas).

Na prática, por ser um grupo em iniciação esportiva, serão trabalhadas técnicas básicas que podem ser aproveitadas para outras modalidades de esportes coletivos, como, por exemplo, o futsal. De acordo com Braga e Suélia, independentemente do objetivo pelo qual o jogador o pratica -- como uma forma de lazer, por questões de integração social ou mesmo buscando atingir altos níveis de rendimento --, o treinamento de base é a ferramenta primordial para tais desenvolvimentos. A ideia é não especializar as crianças precocemente.

As crianças escolhidas para a pesquisa são alunos do professor Rafael Menezes, que, além de dar aulas no Ceunsp, cuida do handebol de Itu. Foram utilizados dois métodos de ensinamentos básicos. Um é o método global, onde várias brincadeiras e ações divertidas são passadas para que as crianças aprendam as regras, sem que isso se torne algo cansativo e disciplinar. O outro é o institucional, que possui uma intenção mais séria de passar as regras e objetivos do handebol. Tem ainda o intuito de simular situações que ocorrem em campo, como ataque contra defesa, nos quais o atleta terá de trabalhar em equipe para conquistar o objetivo.

Ao passar esses dois métodos, segundo os estudantes, é possível perceber que, nos esportes coletivos, o trabalho em equipe vem em primeiro lugar. É preciso aprender a deixar o individual em segundo plano, por mais que possam existir dificuldades em situação de jogo. E, o uso do método global trás como benefício a integração e relação social entre os jogadores. Diferente dos métodos de repetição de gesto técnico. O esporte é indicado por desenvolver as técnicas de jogo e controle, além de divertir os praticantes.


Bianca Binotto e Gabriel Maiante são estudantes do
Curso de Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio

Maria Suélia e José Werley são graduandos de Educação Física no Ceunsp




quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Brincando de aprender


Anderson Luiz
Larissa Ferreira

(AECA Ceunsp Ciência) Responda rápido, você ainda se lembra de algum professor que teve na infância? Se a resposta foi sim, então os ensinamentos dele foram além dos conteúdos pedagógicos e, provavelmente, ele deve ter lhe deixado lições que são úteis em diversos momentos da sua vida e que não estão nos livros didáticos.

Danilo de Moraes Ming, 22, e Paulo Henrique Muniz, 21, estudantes do último ano do curso de Educação Física do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio) provavelmente permanecerão por muito tempo nas memórias de alguns de seus alunos.


Os estudantes estagiaram no Sesi de Itu e, ao longo dessa experiência, perceberam os diferentes níveis de desenvolvimento motor, cognitivo e psicossocial entre crianças de uma mesma faixa etária. Assim, surgiu a idéia de criar uma metodologia de ensino que possibilitasse equiparar a evolução desses alunos.


A elaboração desse método foi o trabalho de licenciatura apresentada pelos dois estudantes no final do ano passado. Danilo e Paulo Henrique, orientados pelo professor Rafael Pombo, queriam ensinar os alunos a pensar rápido e executar os melhores movimentos durante uma competição. “Nas escolinhas de esporte ensinam as crianças a chutar e defender, mas esquecem de mostrar a elas a importância de se fazer uma análise das melhores ações para cada momento do jogo”, disse Paulo Henrique.


A pesquisa, feita com crianças de sete a nove anos, começou em uma partida da tradicional brincadeira infantil, o pique bandeira. Primeiro, os estudantes pediram para que o grupo jogasse como estava acostumado. A atividade foi filmada e o resultado mostrou crianças gritando e correndo em diversas direções, sem nenhuma preocupação com o jogo e sim em roubar a bandeira da equipe adversária.

Para evitar que as crianças se inibissem diante das câmeras algumas atividades anteriores também foram filmadas, para que a classe se acostumasse com os equipamentos de filmagem. Após análise das gravações, eles não aplicaram mais o pique bandeira e partiram para outras atividades como o corre cotia e mãe da rua.

Depois de algumas aulas e das orientações passadas às crianças – especialmente voltadas às questões de estratégia --, os professores voltaram a aplicar a primeira brincadeira e perceberam, depois de analisar uma nova filmagem, que as crianças estavam mais preocupadas com os aspectos táticos e em ocupar espaços na quadra do que em roubar a bandeira do time adversário.


Ao final do trabalho eles perceberam a evolução dos alunos. A dupla relembra o caso de um menino que tinha sérios problemas de convívio e que após participar das atividades da pesquisa, melhorou o comportamento durante as aulas, passando a se empenhar mais.


Os dois estudantes estão trabalhando, separadamente, em suas teses de bacharelado, que serão apresentadas no final desse ano. Danilo está pesquisando sobre a melhor forma de se tratar o rompimento de ligamentos do joelho através de exercícios físicos em academias., Já Paulo Henrique partiu para o estudo das variáveis cardíacas de jogadores de handebol durante os treinos.


Mesmo apaixonado pela profissão, Danilo diz que a Educação Física está sendo banalizada. “Passamos por um processo de formação, mas vemos que na prática é muito diferente: nossa área é mais do que a prática de esporte; é o conhecimento do próprio corpo.” Para Paulo Henrique um dos problemas é a falta de especialização dos professores. Ele diz que “muitos alunos passam pela fase escolar sem entender o objetivo da nossa matéria.”


Além de influenciar no desenvolvimento da tese, o estágio no Sesi fez com que Danilo descobrisse o quanto gosta de lecionar. “É mais importante acompanhar o desenvolvimento de uma criança desde o início da vida escolar do que ficar dentro de uma academia”, diz


Paulo Henrique conta que depois de acompanhar a equipe de handebol de Itu em uma competição percebeu como um técnico esportivo pode mudar a vida de uma pessoa. “O esporte por si só não salva ninguém de uma realidade de risco, o professor é fundamental no processo de transformação da vida de um atleta”, finaliza.



Anderson Luiz e Larissa Ferreira são alunos do
Curso de Jornalismo do Ceunsp (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio).


Prisões longas não recuperam


Larissa Santos
Jéssica Nascimento
Fernando Santos

(AECA Ceunsp Ciência) A ineficácia das prisões longas na regeneração dos presos. Essa é a principal ideia da tese de doutorado a ser desenvolvida pelo professor Laércio Veloso, coordenador do curso de Direito do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp). Formado há 25 anos, sua especialização é ciência criminal, no campo de direito penal. Nos meses de férias escolares, faz doutorado na Universidade de Buenos Aires, na Argentina. “Quero desenvolver uma tese focando exatamente a desnecessidade ou prejuízo que uma pena privativa de liberdade traz a seu condenado quando são colocadas longas penas”, conta.
O professor terá base em dados estatísticos, entrevistas, e toda uma pesquisa em torno desse assunto. Irá até as unidades prisionais, tentará dialogar diretamente com os presos, funcionários e a família. A conclusão da tese está prevista para 2013.

Superlotação, péssimas condições de higiene, falta de privacidade, ociosidade, estresse psicológico e saudades da família são situações comuns aos presos. “Há algum tempo eu convivo com isso (ciência criminal) e o que vejo é a reincidência aumentando, ou seja, as pessoas que estão presas voltam para a cadeia, não se recuperam. Isso porque na prisão as chances de recuperação são muito pequenas”, afirma Veloso.

Muitos empresários se negam a contratar ex-detentos. O que ocorre é que sem oportunidade de ter uma vida como antes, eles acabam por voltar para o mundo do crime. “Vamos fazer um cálculo singelo. Se a pessoa for condenada aos 20 anos e ficar presa por 30 anos – o máximo permitido pela legislação brasileira – ela sairá aos 50 anos. Quais seriam as chances dessa pessoa se reintegrar à sociedade? Quase zero”, ressalta.

É só olhar para a situação dos presídios para ver que o sistema carcerário brasileiro é muito falho no quesito atividades de ocupação. Uma das maneiras de fazer com que o detento se reintegre à sociedade é impor alguns trabalhos em prol da própria comunidade. “Punir não está, ou não pode estar, ligado só a tempo de prisão. O preso pode cumprir a pena de diversas formas como, por exemplo, prestando algum serviço gratuito à sociedade”, lembra Veloso. “Eu acho que punir não está só na intensidade da condenação. O punir também está na qualidade da punição. Dando ao individuo uma pena menor, estudos, formação profissional, haverá resultado”, completa.

Embora bastante polêmica, a prisão perpétua e pena de morte são uma realidade em alguns países, como os Estados Unidos. Segundo Veloso, a lei brasileira é melhor se comparada a dos norte-americanos, por exemplo. A aplicação dela é que não é tão eficaz assim. Uma prisão perpétua não traz nada de bom pra sociedade. Além disso, na pena de morte existe a possibilidade de ocorrer um erro e não há como reverter. Ao condenar uma pessoa a morte é necessário ter a certeza absoluta e o sistema é falho. “Eu não vejo no Brasil nem no mundo esse tipo de pena como solução”, opina.

Tantos anos na cadeia certamente deixam o preso acomodado e acostumado com a “vida boa” que tem. “Aqui fora são cobrados das pessoas comportamento social, trabalhos, estudos. E dentro da cadeia: nada. Qual é o comportamento dele aqui fora: contas pelos gastos, pelo consumo e na cadeia não gastam com nada. Um outro fenômeno é que a pessoa fica tanto tempo na cadeia que quando ela sai não sabe como se comportar”, salienta o professor.

No âmbito nacional tem-se a impressão de que punir é mais fácil que ressocializar. Os condenados passam anos sem fazer nada, apenas comendo, bebendo e descansando. “Punir é mais barato. Se você fizer um modelo de ressocialização exemplar o gasto sairá maior. A educação básica no Brasil não é de boa qualidade. Se é concedido um beneficio desses ao preso a população se acha enganada, porque o preso tem três refeições ao dia, enquanto muitos trabalhadores não têm isso. E a revolta, é porque o preso tem ou porque o trabalhador não tem? O preso tem o básico e o trabalhador tem chance de ter mais do que isso. Tanto que se tirar do preso não vai para quem realmente precisa”, comenta Veloso.

Na conclusão de sua tese a intenção do pesquisador será mostrar a perda de valores que sofre a sociedade, a vítima e principalmente o acusado ao ser condenado a longas penas. Sendo assim, o professor concorda com a ideia de que a prisão é o meio mais caro de tornar uma pessoa pior.


Box
EUA executam preso em caso repleto de dúvidas



Em Jackson, na Geórgia, um caso recente de pena de morte comoveu os EUA. Troy Davis, condenado em 1991 por matar um policial, foi executado minutos após a Suprema Corte ter negado um recurso de última hora apresentado pelos seus advogados - que alegavam haver falhas no processo. A pena de morte, que estava marcada, chegou a ser adiada devido ao recurso. Após quatro horas de deliberação, no entanto, a Suprema Corte anunciou que não impediria a execução por injeção letal.
Davis, de 42 anos, se transformou num símbolo da luta contra a pena capital. Desde sua condenação, sete das nove testemunhas mudaram suas declarações e algumas disseram ter sido coagidas pela polícia. Tampouco há arma ou prova física que ligue Davis ao crime.

O processo ganhou repercussão internacional, e três especialistas em Direitos Humanos da ONU pediram a intervenção do presidente Barack Obama. O presidente não poderia perdoar Davis, já que se trata de uma condenação estadual, mas um pedido seu de investigação federal adiou por algum tempo a execução.

O Conselho da Europa e a Chancelaria da França também pediram a suspensão da execução. "Ao executar um prisioneiro quando há sérias dúvidas sobre sua culpa, pode-se cometer um erro irreparável", dizia o comunicado do ministério francês.




Larissa Santos, Jéssica Nascimento e Fernando Santos são estudantes
do Curso de Jornalismo do Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio (Ceunsp)


 
O advogado Laércio Veloso coordena o Curso de Direito do Ceunsp